"Identidade é a essência, aquilo que se multiplica e cresce sem perder a noção de organismo!"
Por Lígia Fascioni - Blog DNA Corporativo | Portal Amanhã
Pois é, a gente chama a identidade corporativa de DNA da empresa porque é isso mesmo: a identidade é a essência, aquilo que se multiplica e cresce sem perder a noção de organismo.
Para vocês verem: até Sócrates (não o ícone do futebol que morreu recentemente; o outro, mais velhinho, lá das antigas) já pensava nessa questão da identidade na época em que o conceito de empresa ainda usava fraldas.
Pois o tiozinho grego nos ensinou que todas as coisas do mundo possuem dois tipos de atributos. Os essenciais, que fazem com que a coisa seja reconhecida como tal e a diferencia de todas as outras; e os acidentais, que ajudam a descrever essa coisa, porém, não são a sua essência. "Peraí" que já vai ficar mais claro.
Vamos pensar numa pessoa para facilitar o entendimento. O caráter dela permanece o mesmo (pelo menos nos seus pontos essenciais) desde criança. Se alguém é introspectivo e amigável, vai ser assim ao longo de toda a sua vida. Uma criança chata será um velhinho chato, não importa se a pessoa viveu sempre numa vila ou deu várias voltas ao mundo. Esses são exemplos de atributos essenciais.
Já o corpo é a manifestação física do indivíduo, muda o tempo todo. Engordar ou emagrecer, pintar o cabelo, fazer plástica, mudar o estilo de roupa, nada disso muda a essência da pessoa, mas são atributos que ajudam a descrevê-la em momentos determinados da sua trajetória. Por isso, são chamados atributos acidentais.
Então, a idéia é basicamente essa: que é essencial permanece ao longo de toda a vida, com sutis variações (o que nós chamamos de DNA da empresa). O que é acidental muda de acordo com as aventuras e desventuras de seu sujeito (ou das peripécias e crises pelas quais a empresa passa).
Será? Ah, mas a minha prima sofreu um trauma e mudou completamente! Fulano é outra pessoa depois da cirurgia plástica. Ok, são argumentos válidos, mas basta pensar como as pessoas reagem de maneira distinta a acontecimentos e situações semelhantes.
Se alguém ficou mais introspectivo depois que perdeu o pai quando era jovem, provavelmente apenas exacerbou uma característica que já tinha, pois há pessoas que também passam pelo mesmo drama e continuam comunicativas. Se alguém fez plástica e ficou mais seguro, provavelmente já trazia essa segurança dentro de si; só faltava um empurrãozinho.
As características físicas não são a essência; no máximo, podem ser uma boa tradução.
Com as empresas, acontece algo parecido. A forma como cada uma enfrenta crises, oportunidades e contingências, seu posicionamento no mercado e seu estilo de atuação dependem da sua identidade. Senão, seria bem fácil: é só contratar um super-homem (às vezes é isso que os acionistas esperam de um CEO) e esperar que ele possa fazer e faça a mágica.
Por que é que numa crise, algumas empresas crescem vertiginosamente e outras decretam falência, mesmo que, muitas vezes, atuem na mesma área? A maneira como elas reagem e tomam decisões depende muito da identidade de cada uma. O CEO é um fator preponderante, mas ele não é engenheiro genético (pelo menos na maioria dos casos). O sujeito vai trabalhar com uma entidade que já existe, tem identidade e DNA próprios. Há que se administrar e levar em consideração esses fatores.
Outra questão bem interessante a se pensar é que a frequência com que os atributos acidentais mudam também depende dos atributos essenciais. Se a empresa é mais conservadora, as manifestações físicas de sua identidade também mudam pouco: a marca gráfica, a decoração, a gestão de pessoas, o portfólio de produtos, tudo permanece mais ou menos estável e previsível ao longo de vários anos.
Já uma empresa mais inquieta, emocional, ousada, pode mudar várias vezes de marca, decoração, sistemas de gestão ou portfólio de produtos no decorrer de seu ciclo de vida.
Então é isso, povo. Cada um, cada um.
Nenhum comentário:
Postar um comentário