Resiliente. Palavra estranha, não é? Mas revela se você é capaz de lidar bem com desafios e pressões e saber mais sobre ela pode mudar o rumo da sua vida.
Por Alessandra Assad* | Alessandraassad.com.br
São cinco horas e quarenta e cinco minutos de uma sexta-feira ensolarada. O final de semana promete... Depois de seis meses sem saber o sabor de uma happy hour com os amigos, você vai se arrumando, desligando o computador, penteando o cabelo, procurando o batom... quando de repente toca o telefone. É ele!
É claro que é ele. O seu chefe pedindo pra você ajudá-lo numa tarefa muito importante para a empresa, que vai excepcionalmente mais uma vez segurá-la até mais tarde no escritório. Que poder de controle você tem sobre as suas emoções nessa hora?
Se você ficou com muita raiva do seu chefe, logo já terá algumas decisões pela frente: vai precisar escolher se a raiva vai durar cinco, dez, quinze minutos ou dois dias. Vai ter de resolver se faz as coisas correndo e de mau humor para dar uma lição nele, ou vai relaxar e aproveitar o tempo a mais na empresa para aprender algo novo para a sua carreira e para a sua vida. Tudo isso quem decide é o resiliente. Resili... o quê? Resiliência, que palavra!
A palavra vem do latim "resilio", que significa voltar ao estado natural. O conceito de resiliência para as ciências humanas é "a capacidade de um indivíduo em possuir uma conduta sã num ambiente insano, ou seja, a capacidade do indivíduo sobrepor-se e construir-se positivamente frente às adversidades".
A beleza e a motivação da resiliência está em você poder escolher como perceber e responder às situações adversas. O conceito vem da Física e é aplicado ao comportamento humano permitindo mudanças nas atitudes e na qualidade de vida das pessoas diante do caos do dia-a-dia de cobranças, prazos, pressões, muita tensão e estresse acumulado. Eduardo Carmello, consultor e diretor da Entheusiasmos Consultoria em Talentos Humanos e autor do livro Supere! A Arte de Lidar com as Adversidades (Editora Gente), define o termo como "a capacidade de um material voltar ao seu estado normal depois de ter sofrido uma pressão". Para o autor, as pessoas não podem saber se vão ou não ficar com raiva quando algo inesperado acontecer em suas vidas, mas podem sim definir quanto tempo vão querer ficar alimentando esse sentimento, assim como fazer para canalizar essa emoção com uma ação construtiva.
O medo de assumir riscos
O medo dos desafios, de assumir o risco de enfrentar algo, é muitas vezes maior do que nós mesmas. Se o atraso de um minuto parece durar uma hora, um comentário descuidado fere como repreensão e um silêncio é interpretado como indiferença, está na hora de repensar alguns dos seus valores diante das adversidades. Eles vão acabar fazendo você se sentir impotente diante das decepções e contradições da vida. Você tem duas opções: ou fica parada e foge delas ou as encara de frente, vislumbrando-as como novos desafios a serem vencidos e transformando-as em oportunidades.
O consultor e especialista em qualidade de vida no trabalho Tom Coelho conta que aprendeu que não adianta brigar com problemas. "É preciso enfrentá-los para não ser destruído por eles, resolvendo-os. E rapidamente, de maneira certa ou errada". A advogada Ana Paula L. confessa que demora para voltar ao normal depois de uma situação de risco.
*Sobre a autora: Alessandra Assad é diretora da AssimAssad Desenvolvimento Humano. Formada em Jornalismo, pós-graduada em Comunicação Audiovisual e MBA em Direção Estratégica, é professora no MBA de Gestão Comercial da Fundação Getúlio Vargas, Consultora Senior no Instituto MVC, palestrante e autora do livro Atreva-se a Mudar! - Como praticar a melhor gestão de pessoas e processos.
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