quarta-feira, 2 de maio de 2012

Tendências: devemos sempre seguí-las?

"Tudo de mais genial que o mundo já produziu foi originado por pessoas autênticas, inovadoras e descontentes com o 'mais do mesmo' da sua contemporaneidade", destaca articulista.


Muitas pessoas que participam de um evento de negócios (congressos, seminários, jornadas etc.) já se perguntaram: será que devo seguir as tendências de mercado apresentadas pelos conferencistas convidados sem questionar, ou devo avaliar especificamente em meu segmento se é possível ir em outra direção? Será que existem oportunidades em direções diferentes das apontadas pelas tendências?

Considero excelente a postura das pessoas que fazem estas perguntas, pois estão agindo com senso crítico, não apenas absorvendo e adotando conclusões obtidas por outras pessoas, por mais preparadas e conceituadas que estas possam ser.

Se a dúvida é prejudicial quando nos bloqueia as decisões e atitudes, por outro lado ela é fundamental quando nos remete a uma reflexão na busca pela verdade. A dúvida e o questionamento como instrumentos de busca são excelentes ferramentas.

Vamos refletir juntos sobre a questão das tendências e direções a seguir.

Em primeiro lugar, vamos ser sinceros: o sucesso é muito mais fácil de ser explicado depois que acontece. Prever o sucesso é algo dificílimo, mesmo quando todos os ingredientes considerados fundamentais para obtê-lo estiverem presentes.

Quando analisamos tendências, estamos - na verdade - observando como será o comportamento de determinados índices, além do comportamento da maioria dos agentes do mercado, suas percepções, desejos e demandas. Mas isso não exclui uma minoria, que caminhará na direção oposta por razões sócio-econômicas e particularidades das mais variadas. Mas, então, contrariar as tendências e modelar o negócio para atender esta minoria pode ser uma oportunidade? A resposta é sim.

Algumas tendências são críticas, outras irreversíveis. Por exemplo, veja a tendência de que as pessoas passariam a se comunicar cada vez mais por meios móveis (celular, internet etc.). Ela se confirmou e é irreversível. A sociedade não voltará mais às tecnologias imobilizantes, como o telefone convencional e o fax.

Já a tendência de consumir música digital, apresenta, pelo menos no curto prazo, ciclos que abrem nichos muito significativos que permitiram o lançamento de novos títulos em discos de vinil, só para dar um exemplo. Existe uma legião de apaixonados pelo disco de vinil. O retrô é sempre uma alternativa viável ao contemporâneo, embora, via de regra, não vá obter jamais um consumo tão maciço quanto os produtos contemporâneos. Muitas gravadoras estão lançando títulos em CD, formato digital para download e ao mesmo tempo, em vinil, além de relançamentos de álbuns clássicos também no formato. O que quero dizer é que é possível encontrar oportunidades em direções diferentes das apontadas pelas tendências.

Resumindo, vamos encontrar histórias de sucesso em pessoas e empresas que seguiram as tendências e também histórias de sucesso em pessoas que contrariaram as tendências, buscando o old-fashion (ao menos no estilo) ou dando início a uma nova categoria que não pertencia nem ao passado nem às tendências atuais (isso é muito comum na biografia de grandes artistas, cineastas, criadores de moda, escritores e empresas altamente inovadoras), revolucionando e ditando as tendências.

Agora é importante lembrar que:

1) Para seguir uma tendência é necessário ser um bom observador, compreender o momento do mercado e aproveitar as oportunidades emergentes com competência e criatividade.

2) Para contrariar as tendências, criar uma nova tendência é necessário ser autêntico, inovador e possuir um toque de genialidade.

Na ausência das características do item dois, siga as tendências, sua margem de erro será incrivelmente menor! Ao menos, faça isso enquanto acumula capital e aproveita o tempo para desenvolver as características do item dois.

Na impossibilidade temporária de criar suas próprias tendências, aproveite as existentes, afinal perder estas oportunidades seria um desperdício. Agora, quando dispuser das características necessárias para ditar as tendências, criar uma nova categoria, romper com os paradigmas vigentes, criar ou reinventar um mercado para você, confie e dedique-se muito; o caminho será difícil, mas as recompensas serão mais que proporcionais.

Afinal, tudo de mais genial que o mundo já produziu em todas as áreas do conhecimento foi originado por pessoas autênticas, inovadoras e descontentes com as tendências da sua contemporaneidade.
 

terça-feira, 1 de maio de 2012

Nada de viver como bombeiro!

Por Abraham Shapiro | Blog HSM

Eu participava de um debate em um canal de TV quando o entrevistador dirigiu-me uma pergunta: "Dr. Shapiro, por que tantos gerentes são ineficazes?" Minha resposta imediata foi: "Porque são bombeiros!"

Eu me surpreendi com a rapidez com que minhas palavras saíram. Mas a idéia era clara como a luz do sol na minha mente. É a mais pura verdade!

Gerentes ineficazes não têm tempo para pensar, nem para planejar táticas. Quando você é um gerente bombeiro, você não lidera coisa nenhuma. Só apaga incêndios. Você não decide mais em que direção sua equipe está indo. O incêndio é que decide. Ele impera sobre a sua vida. Você pensa que está controlando-o, mas não. É o incêndio que o controla.

O que é um incêndio numa empresa? É qualquer problema que se deflagra de surpresa e exige tempo, atenção e imaginação.

Em certo nível, o incêndio é normal em qualquer organização. Nas empresas desorganizadas ele é o dia a dia, tomando conta da vida de todos. E este é o indicador: quanto mais incêndios acontecem por unidade de tempo, mais a empresa está à deriva: menos organizada, menos produtiva e menos lucrativa. Ela se torna um lugar estressante e danoso.

Os incêndios trazem consigo a perda do senso de oportunidade. Eles cegam as pessoas para as possibilidades.

Um gerente eficaz lidera sua equipe do presente para o futuro. Para ele, um incêndio só é relevante quando está no caminho de um objetivo. Dependendo da natureza, ele nem precisa apagar o fogo. Simplesmente se desvia porque tem um alvo mais importante a atingir no futuro - isto é que lhe interessa.

Dirijo-me a você, agora. Quer eficiência? Deseja eficácia? Não deixe os incêndios ditarem o ritmo do seu trabalho. Estabeleça objetivos claros junto de sua equipe. Depois, siga esses objetivos. Dedique-se a influenciar o time a se envolver ao máximo com estas metas.

Viver e trabalhar sem incêndios é quase impossível, todos sabem. Mas entenda, e não esqueça, que seu antídoto é planejamento e persistência em chegar aos objetivos.

segunda-feira, 30 de abril de 2012

Como identificar as necessidades e desejos do cliente interno?

Por Mariana Melissa | Ideia de Marketing

É comum associar o marketing a "criação" de necessidades e desejos em seus clientes/consumidores. De certo modo, o marketing tem o poder de tocar os "necejos" (necessidade + desejos, como dizia meu professor) de seus clientes, porém, para descobrir quais são esses, o planejamento não conta com o auxílio de uma bola de cristal da última versão 2.0, nem muito menos com a colaboração de videntes tops de linha. O planejamento de marketing faz estudos de mercado usando algumas ferramentas, como a análise de SWOT, por exemplo, que permite identificar quais são as fraquezas e as forças da marca, quais são as reais necessidades e desejos que devem ser atingidos para que o andamento de forma evolutiva apareça. Como dizia Maslow "tão logo uma necessidade é satisfeita, outra surge em seu lugar. Esse processo é interminável e contínuo, entende-se como do nascimento até a morte". Diante disso, percebemos que a atenção em buscar a satisfação dos "necejos" do cliente é fundamental, sempre contando com o auxílio de ferramentas ideais para isso.

Agora te pergunto: e o cliente interno?

Alguém está de olho em suas necessidades e desejos? Quem deve procurar satisfazê-los e de que forma isso pode ser realizado?

Para o público interno da empresa, uma das ferramentas mais utilizadas para entender o que se passa, o que se necessita e o que se deseja é a Pesquisa de Clima Organizacional. Essa pesquisa elaborada e aplicada pelo setor de RH é o indicador de satisfação dos colaboradores para diversas vertentes que compõem a organização, como modelo de gestão, valorização profissional, processo de comunicação, identificação com a companhia, motivação, ou qualquer outro ponto que a própria empresa deseja abordar.

Após identificar os pontos a serem melhorados ou desenvolvidos, é necessário que um plano de ação seja elaborado, utilizando as respostas dos colaboradores como base principal. Se reclamações salariais forem apontadas, por exemplo, uma ação de estudo de remuneração de acordo com a faixa salarial do mercado externo de empresas do mesmo porte pode ser uma saída. Se existirem pontos de insatisfação de treinamento e motivação, ações do tipo LNT (Levantamento de Necessidades de Treinamento) para apurar quais são as carências de conhecimentos, atitudes e habilidades e organizar campanhas motivacionais, por exemplo, podem ser exploradas. Uma Pesquisa de Clima Organizacional além de apontar as forças e fraquezas provindas das necessidades sentidas pelos colaboradores, também auxilia em pontos importantes na gestão da qualidade, seja no produto final ou em todo processo de produção. Para os gestores, ela contribui fortemente nas decisões a serem tomadas de maneira segura estabelecendo referências confiáveis para programar novas ações, indicando com maior precisão qual setor necessita da melhor ação para sanar problemas de motivação, rotatividade, insatisfação, absenteísmo, ou qual for a solução que melhor se enquadra para suprir necessidade apontada, proporcionando qualidade de vida no ambiente de trabalho. Essa qualidade de vida no trabalho conduz bons relacionamentos, elevando o nível de confiança entre as duas partes - empresa e colaborador - tornando o trabalho, desde o esboço, passando por todo processo até alcançar o produto e resultado final mais eficiente e produtivo.

Seja qual for o resultado de sua pesquisa, ações pertinentes aos resultados deverão ser planejadas e colocadas em prática, só assim o colaborador vai sentir que há alguém que se importe com a sua opinião e que realmente quer transformar os pontos negativos em positivos.

*Sobre a autora: Mariana Melissa (@MariiMell) é colunista do Ideia de Marketing, estudante e assistente de RH. 
 

domingo, 29 de abril de 2012

Como aplicar ingredientes dos jogos nas empresas e obter resultados

Além da comunicação, Byron Reeves - especialista nas reações psicológicas e fisiológicas das pessoas aos meios de comunicação - elenca outros ingredientes dos jogos a serem aplicados nas organizações: narrativa, representação de si mesmo, feedback, equipes, transparência, economia própria, grades e níveis, regras, e pressão do tempo. O especialista se apresentou no Fórum de Gestão e Liderança da HSM, na capital.

Narrativa
Assim como acontece nos jogos, ao se conhecer a história, somos impulsionados a manter ânimo e motivação, de acordo com Reeves. "O que há de tão excitante em ser CEO de uma organização? Simples, você conhece a história da empresa. Sabe pelo que trabalha e, assim, mede melhor suas ações".

Representação de si mesmo
Nos videogames as pessoas possuem avatares - representações virtuais de si. "É uma imagem com a qual você se importa e cuida. Muitas vezes ela difere da pessoa, mas se mostra como um modelo do que ela deseja ser e, por isso, o profissional imprime nela características positivas que se esforça para manter".

Reeves afirma que empresas como Microsoft, IBM e Hewlett-Packard já se utilizam dessa estratégia. Algumas chegam até mesmo a utilizar a ferramenta para fazer reuniões em salas virtuais. "Isso gera economia de tempo, transporte e funciona de um modo descontraído", enfatiza.

Feedback
Nos games, os números de seu desempenho são fornecidos em tempo real e isso ajuda a mensurar a qualidade de sua ação e atuar sobre um eventual problema rapidamente. Reeves analisa que as empresas devem copiar isso. "Aguardar semanas, meses para se obter retorno sobre o trabalho que se está executando é inviável no mundo de hoje, especialmente quando de condutas que devem ser modificadas".

Equipes
"Os humanos sempre se organizaram em grupos, seja para caça ou num ambiente familiar". O especialista conta que dentro dos games as pessoas sabem exatamente qual é o seu papel, o que devem fazer e o quanto aquilo é importante para o todo. "Se suas empresas seguirem este modelo, você não verá pessoas confundindo as coisas, elas se sentirão motivadas sabendo seu espaço".

Transparência
"Devemos imitar os militares. A maioria das organizações tem a mania desagradável de esconder os bons. Muitas chegam a oferecer bonificações aos seus profissionais de destaque, mas esperam que isso fique nas sombras. Os militares, pelo contrário, colocam a pessoa na frente de todos, lhe dão uma medalha e deixam bem claro seu mérito", assinala Reeves.

Em oposição ao pensamento comum, ele diz que essa prática cria uma figura a se imitar e se seguir e não um sentimento de revolta do grupo.

Ainda em relação à transparência, ele coloca que a ferramenta que gera estatísticas de desempenho deve ser aberta e vista por todos, o que nos leva ao próximo tópico.

Níveis e classificações
Algo que é tão comum ao mundo dos games pode fazer grande diferença na sua empresa. Os personagens dos jogos estão em constante evolução, procurando novas habilidades. "No jogo, não é vergonha nenhuma não saber algo. Você simplesmente busca como aprender".

Economia própria
Todo jogo tem sua própria moeda e é um dos fatores que serve para reconhecer o desempenho do seu personagem. Quanto melhor sua performance, mais da moeda se ganha. "Ela pode ser trocada por outras coisas e tem o valor naquele universo. As empresas podem tentar algo semelhante que dinamize o cotidiano além das bonificações em dinheiro", sugere.

Regras
Nos games as regras são claras, pontua Reeves, "mas isso não impede ninguém de tentar algo novo, levando em conta o ambiente em que atua". Ou seja, as regras estão estabelecidas e jogar de acordo com elas é bom, mas tentar algo diferente também se aplica. "Tentamos novos caminhos quando os conhecidos não funcionam, logo, numa estrutura pensada como jogo, ou que utiliza os games em seu sistema, há espaço para inovação".

Pressão do tempo
O último elemento é o que mais se parece com a realidade: a pressão do tempo. Nos jogos isso é fator básico, mas em vez de desestimular ou estressar os jogadores, isso os engaja na missão. Para o professor, uma vez que os outros elementos se combinem, a pressão do tempo passa a ser estímulo para os profissionais das empresas.

Sugestões
"Jogar não é o oposto de trabalhar, afinal", constata Reeves.

Ele afirma que a maior qualidade dos games é fazer você aprender as coisas na prática. "Você tenta, se falhar, volta e tenta de novo". Esse, de acordo com ele, é o espírito que se quer: pessoas engajadas e sem medo de errar, desde que esse fator as impulsione a uma nova - e melhor - tentativa.

"Se conseguirmos fazer nossos profissionais pensarem em seu trabalho como um jogo, toda tarefa se tornará uma missão importante e agregadora", encerra.