domingo, 29 de abril de 2012

Como aplicar ingredientes dos jogos nas empresas e obter resultados

Além da comunicação, Byron Reeves - especialista nas reações psicológicas e fisiológicas das pessoas aos meios de comunicação - elenca outros ingredientes dos jogos a serem aplicados nas organizações: narrativa, representação de si mesmo, feedback, equipes, transparência, economia própria, grades e níveis, regras, e pressão do tempo. O especialista se apresentou no Fórum de Gestão e Liderança da HSM, na capital.

Narrativa
Assim como acontece nos jogos, ao se conhecer a história, somos impulsionados a manter ânimo e motivação, de acordo com Reeves. "O que há de tão excitante em ser CEO de uma organização? Simples, você conhece a história da empresa. Sabe pelo que trabalha e, assim, mede melhor suas ações".

Representação de si mesmo
Nos videogames as pessoas possuem avatares - representações virtuais de si. "É uma imagem com a qual você se importa e cuida. Muitas vezes ela difere da pessoa, mas se mostra como um modelo do que ela deseja ser e, por isso, o profissional imprime nela características positivas que se esforça para manter".

Reeves afirma que empresas como Microsoft, IBM e Hewlett-Packard já se utilizam dessa estratégia. Algumas chegam até mesmo a utilizar a ferramenta para fazer reuniões em salas virtuais. "Isso gera economia de tempo, transporte e funciona de um modo descontraído", enfatiza.

Feedback
Nos games, os números de seu desempenho são fornecidos em tempo real e isso ajuda a mensurar a qualidade de sua ação e atuar sobre um eventual problema rapidamente. Reeves analisa que as empresas devem copiar isso. "Aguardar semanas, meses para se obter retorno sobre o trabalho que se está executando é inviável no mundo de hoje, especialmente quando de condutas que devem ser modificadas".

Equipes
"Os humanos sempre se organizaram em grupos, seja para caça ou num ambiente familiar". O especialista conta que dentro dos games as pessoas sabem exatamente qual é o seu papel, o que devem fazer e o quanto aquilo é importante para o todo. "Se suas empresas seguirem este modelo, você não verá pessoas confundindo as coisas, elas se sentirão motivadas sabendo seu espaço".

Transparência
"Devemos imitar os militares. A maioria das organizações tem a mania desagradável de esconder os bons. Muitas chegam a oferecer bonificações aos seus profissionais de destaque, mas esperam que isso fique nas sombras. Os militares, pelo contrário, colocam a pessoa na frente de todos, lhe dão uma medalha e deixam bem claro seu mérito", assinala Reeves.

Em oposição ao pensamento comum, ele diz que essa prática cria uma figura a se imitar e se seguir e não um sentimento de revolta do grupo.

Ainda em relação à transparência, ele coloca que a ferramenta que gera estatísticas de desempenho deve ser aberta e vista por todos, o que nos leva ao próximo tópico.

Níveis e classificações
Algo que é tão comum ao mundo dos games pode fazer grande diferença na sua empresa. Os personagens dos jogos estão em constante evolução, procurando novas habilidades. "No jogo, não é vergonha nenhuma não saber algo. Você simplesmente busca como aprender".

Economia própria
Todo jogo tem sua própria moeda e é um dos fatores que serve para reconhecer o desempenho do seu personagem. Quanto melhor sua performance, mais da moeda se ganha. "Ela pode ser trocada por outras coisas e tem o valor naquele universo. As empresas podem tentar algo semelhante que dinamize o cotidiano além das bonificações em dinheiro", sugere.

Regras
Nos games as regras são claras, pontua Reeves, "mas isso não impede ninguém de tentar algo novo, levando em conta o ambiente em que atua". Ou seja, as regras estão estabelecidas e jogar de acordo com elas é bom, mas tentar algo diferente também se aplica. "Tentamos novos caminhos quando os conhecidos não funcionam, logo, numa estrutura pensada como jogo, ou que utiliza os games em seu sistema, há espaço para inovação".

Pressão do tempo
O último elemento é o que mais se parece com a realidade: a pressão do tempo. Nos jogos isso é fator básico, mas em vez de desestimular ou estressar os jogadores, isso os engaja na missão. Para o professor, uma vez que os outros elementos se combinem, a pressão do tempo passa a ser estímulo para os profissionais das empresas.

Sugestões
"Jogar não é o oposto de trabalhar, afinal", constata Reeves.

Ele afirma que a maior qualidade dos games é fazer você aprender as coisas na prática. "Você tenta, se falhar, volta e tenta de novo". Esse, de acordo com ele, é o espírito que se quer: pessoas engajadas e sem medo de errar, desde que esse fator as impulsione a uma nova - e melhor - tentativa.

"Se conseguirmos fazer nossos profissionais pensarem em seu trabalho como um jogo, toda tarefa se tornará uma missão importante e agregadora", encerra.


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