Por Alessandra Assad* | alessandraassad.com.br
A sexta-feira finalmente chegou. Eu estava em casa e nem acreditava que conseguiria colocar os pés para cima no sofá, quando fui interrompida pelo interfone. O porteiro anunciava uma encomenda para mim. Levantei para abrir a porta, e deparei-me com um entregador de pizza. Com uma naturalidade incrível, ele confirmou o meu nome, e em seguida, colocou um pizza em minhas mãos.
- Olha, eu não pedi pizza, acho que houve um engano!
- Não senhora. A pizza acabou de sair do forno, e foi uma encomenda do Shopping XYZ para anunciar a mais nova liquidação total, que acaba de sair do forno também.
- Como é que é?
- A pizza acabou de sair do forno, e foi uma encomenda do Shopping XYZ para anunciar a mais nova liquidação total, que acaba de sair do forno também.
A ação que o shopping fez para anunciar a liquidação bombástica certamente rendeu um boca-a-boca incrível na região, e se pagou muito antes das pizzas que eles enviaram para a casa de muitas pessoas. Uma idéia simples, uma experiência fantástica.
Outro dia me hospedei em um hotel que, percebendo que muitos clientes tomavam o café da manhã com pressa, passou a oferecer a opção para o cliente se servir e levar o café em embalagens descartáveis, para ir comendo no caminho. Diferente? Ousado? Eu chamaria de case de marketing, porque estes dois exemplos comprovam aquilo que os estudiosos tanto falam: para conquistar o cliente, coloque-se no lugar dele, enxergue com os olhos dele. Parece tão simples, e por que será que no nosso dia-a-dia, na prática, complicamos tanto?
Agora lanço um desafio para você: tente pedir uma pizza na hora do almoço em qualquer cidade que não seja São Paulo e depois me conte como foi a experiência! É incrível como parece que os empresários rotularam que pizza não foi feita para ser consumida na hora do almoço. Das poucas pizzarias que abrem nestes horários, mais de 90% não fazem entregas. É proibido almoçar pizza! E ainda teve um empresário que me falou: não vale a pena, ninguém pede! Oras, vende mais porque está sempre fresquinho, ou está sempre fresquinho porque vende mais?
Você saberia me explicar o que faz um cinzeiro de vidro transparente com um adesivo colado ao fundo escrito: "Cinzeiro apenas para a sua comodidade. Apartamento não fumante", cuidadosamente posicionado no criado-mudo de um hotel?
Duas pizzas, dois hotéis e quatro atitudes distintas em relação ao cliente. Em qual desses times você está jogando?
1 - Pouca consciência sua e pouca necessidade do cliente = cinzeiro para não fumantes.
2 - Muita consciência sua e pouca necessidade do cliente = liquidação shopping.
3 - Muita consciência sua e muita necessidade do cliente = café para levar.
4 - Pouca consciência sua e muita necessidade do cliente = pizza no almoço.
Lembre-se que a mudança e o aprendizado serão novos companheiros contínuos em nossas vidas. É preciso não só aceitá-los, mas recebê-los bem. Isso pode fazer uma grande diferença para você chegar ao sucesso que tanto almeja. Afinal, "o que quer que o fez ter sucesso no passado não o fará ter sucesso no futuro". Portanto, mexa-se. Inove. Ouça o cliente. Dê a ele o que precisa, antes que vá buscar em outro lugar... ou vai deixar essa história toda terminar em pizza?
(Artigo originalmente publicado na revista VendaMais de março de 2008)
*Sobre a autora: Alessandra Assad é diretora da AssimAssad Desenvolvimento Humano. Formada em Jornalismo, pós-graduada Comunicação Audiovisual e MBA em Direção Estratégica, é professora no MBA de Gestão Comercial da Fundação Getulio Vargas, Consultora Senior do Instituto MVC, palestrante e autora do livro Atreva-se a Mudar! - Como praticar a melhor gestão de pessoas e processos.
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