quarta-feira, 26 de setembro de 2012

Sérgio, o carneiro, e sua lã

Por Kelly Cavalcanti Gallinari  |  Ecoach

"Chegou o verão e Sérgio já demonstrava sinais de irritação. É nesta época que os criadores tiram a lã das ovelhas e Sérgio, o carneiro, um dos bichos mais velhos da fazenda, já não aguentava mais passar por isso. Anos após anos, Sérgio ficava peladão sem entender o motivo. Apesar da lã nascer novamente no decorrer do próximo ano, Sérgio achava tudo aquilo uma sacanagem das grandes, já que imaginava que seu dono fazia aquilo por diversão.

Sérgio, nu, não tinha condições emocionais de reivindicar nada.

Mas naquele verão, Sérgio decidiu mudar sua vida. Não queria mais passar por tudo aquilo. Daria algum jeito para não tirarem suas vestes. E assim, ele fez.

No dia do corte da lã, Sérgio de um jeito de sair da fila e se misturar aos bolos de lã que já haviam sido cortadas das ovelhas. Ali ficou, escondidinho até o anoitecer. Se saisse dali, os criadores viriam que ele era o único com lã e, na certa, fariam ele passar pelo corte. Assim sendo, Sérgio preferiu dormir ali mesmo até que pensasse em como fugir da fazenda.

O que não esperava é que o dono da fazenda levaria as lãs para serem vendidas ainda naquela noite e, juntos com as lãs cortadas, Sérgio foi para o caminhão que seguiria para a cidade.

Ao chegar na confecção que compraria as lãs, o caminhão passou por uma vitrine com roupas e acessórios lindíssimos. Na loja, tinha gente muito elegante vestindo roupas lindíssimas. Sérgio ficou tão encantado com o que viu que esqueceu de se camuflar no meio das lás e logo foi descoberto pelo dono da fazenda.

Como o dono da fazenda já havia feito a venda das lãs, não fez o corte de Sérgio, que ficou belíssimo naquele momento. A lã era dele, só dele.

Os meses foram passando e a lã da galera foi crescendo. As lãs novas eram lindas, vistosas e sadias. Sérgio notou que sua lã estava velha, feia e fedida. Já era tanta lã, que era fácil encontrar resquício de fezes e bichinhos. No outro dia, Sérgio foi se coçar e saiu um "furão" correndo, que tinha feito moradia por ali.

Sérgio lamentou-se com sua amiga Catarina, que disse ter satisfação em saber que produzia lã para que muitas pessoas pudessem ficar ainda mais bonitas. Catarina tinha prazer em doar-se para fazer o outro melhor. Sérgio lembrou-se da vitrine da loja da confecção. Era tudo feito com a lã das ovelhas. A amiga de Sérgio disse, ainda, que o corte fazia com que sua lã crescesse ainda mais bonita no próximo ano.

No próximo verão, Sérgio, que tinha lã para abastecer uma confecção inteira, viu toda sua veste ir para o lixo. Acumulou tanto que estragou. Não se renovou.

A ovelha Catarina era ela, sua lã e a vitrine. Que orgulho desta ovelha.

E Sérgio? Era só Sérgio e sua lã. Nada mais. Que triste."

Já se depararam com líderes que não dividem seus conhecimentos, informações privilegiadas com medo de que seus liderados se destacassem mais do que eles? Na maioria das vezes, acabam sozinhos. E pais ausentes, que minimizam seu dever de repassar e assegurar boas condutas com o objetivos de formar bons cidadãos? Não são bons pais e formam filhos despreparados para a vida.

Meu povo, doar o que há melhor em você é o mesmo que abrir espaço para a própria renovação. Acumular lã velha faz criar bicho, faz apodrecer. Ao passo que compartilhar te faz renovar. Quando você repassa um conhecimento, um alimento, uma blusa, o que for, você fica sem. Fica pelado. E te cria a necessidade de repor. E esta reposição é a chave da renovação, do seu crescimento. E o ciclo está criado: neste ponto, você está pronto para a próxima doação.

É gostoso acompanhar o crescimento, a maturação de alguém e perceber que ele veste sua lã, ver que você contribui. É bom ver sua lã na vitrine.

E não confundam: não é você na vitrine, é a sua lã.

Abraços e até mais.

terça-feira, 25 de setembro de 2012

Plano de carreira: como encarar o fato de não ter atingido um objetivo?

Por Viviam Klanfer Nunes  |  InfoMoney

SÃO PAULO - Para os profissionais que não elaboraram um plano de carreira, não faz muito sentido analisar se os objetivos e as metas foram alcançados. Mas, para aqueles que fizeram, como encarar o fato de um objetivo não ter sido atingido?

Embora o plano de carreira seja essencial para uma trajetória de sucesso, há diversos imprevistos no meio do caminho que podem desviar seu percurso. Esses imprevistos, que podem ser de diversas naturezas, como o  atrito com o chefe ou uma crise econômica nacional, podem mesmo fazer com que as metas estabelecidas não sejam atingidas. E é justamente por isso que eles devem ser considerados no plano de carreira.

Ao considerar os imprevistos, o profissional tem melhores condições de lidar com o fato de não ter conquistado sua meta. De acordo com a diretora da divisão Outplacement & Career Planning da Career Center, Claudia Monari, quando o profissional não consegue atingir uma meta, por conta de alguma inteferência externa, a dica é reajustar o plano e voltar rapidamente  a sua rota.

Na prática, se o profissional tinha estabelecido que em dois anos seria gerente, mas no meio do caminho, por conta de corte nos custos, a empresa desliga esse profissional, ele deve reajustar seu plano, aumentando o prazo para atingir tal meta, por exemplo. "O principal erro é engessar o plano de carreira", diz a consultora em Transição de Carreira, da De Bernt Entschev Human Capital, Leandra Cortelleti.

Flexibilidade
Como é muito provável que ao longo de uma carreira aconteçam imprevistos, o profissional não deve pensar em seguir a risca o plano de carreira que elaborou. Ele deve estar sempre analisando a dinâmica do mercado, observando as oportunidades e ir ajustando seu plano de carreira à medida que novos elementos forem conhecidos.

O plano de carreira é útil para dar uma visão estratégica da carreira, definindo metas e objetivos que se deseja atingir, porém, o "como" chegar até lá pode mudar muito. Por exemplo, você quer ser gerente, e insiste que essa posição seja atingida na empresa que trabalha atualmente. Caso a empresa não tenha muitas oportunidades, será pouco provável que você alcance a meta.

Isso quer dizer que, ao analisar a situação atual e ao observar que a empresa não te dará essa posição, pense no objetivo maior que é ser gerente e reajuste seu plano considerando outras empresas.

O plano deve ser revisto de tempos em tempo, principalmente, quando algum evento externo acontece. Mas se mesmo com tais revisões o profissional chegar no prazo estabelecido sem ter atingido determinado objetivo, é o momento de analisar o que deu errado e tomar algumas decisões.

Decidir, por exemplo, se quer ficar na empresa ou procurar outra oportunidade. Essa mudança implica em assumir riscos, pois nada garante que na outra empresa será diferente, mas faz mais sentido do que se acomodar em um lugar que não oferece perspectivas e não te ajudará a conquistar suas metas.

Os planos de carreiras são muito úteis na trajetória profissional, porém, é preciso considerar que ele deve ser flexível e que a carreira do profissional está nas mãos dele e não da empresa. Se seu trabalho atual não oferece o que você procura, a postura correta é buscar um lugar que ofereça e não culpar a empresa. "As pessoas devem ser mais responsáveis por suas carreiras", finaliza Leandra.
 

segunda-feira, 24 de setembro de 2012

Clima organizacional: responsabilidade do líder

Geralmente as equipes se isolam e dão valor somente ao seu trabalho. É necessário mostrar a importância de cada área da empresa.

Por Bernt Entschev*  |  Blog Vida Executiva  |  Portal Amanhã

Em todas as empresas, das pequenas às multinacionais, o clima organizacional é um dos fatores mais importantes para o bom desempenho e produtividade da equipe. E é justamente esse fator um dos maiores problemas que líderes de diversas empresas e segmentos precisam resolver diariamente.

Por mais que seja um assunto muito debatido no meio corporativo, ainda há muitos gestores e colaboradores que não entendem a importância de um bom relacionamento interpessoal e espírito de equipe que deveria permear as relações profissionais. Feliz ou infelizmente, a responsabilidade de criar um ambiente agradável de trabalho é da empresa e de quem está no comando dela. Os presidentes, diretores e coordenadores devem direcionar seus colaboradores quanto ao comportamento, valores e crenças da empresa para que todos estejam agindo e trabalhando de acordo com a cultura organizacional.

É claro que uma só pessoa não consegue realizar esse trabalho. Entretanto, existem algumas estratégias que ajudam a tornar o ambiente de trabalho mais harmonioso e colaborativo. Uma delas é o uso eficaz da comunicação interna. Comunicação fluida inter e intrassetores, ou seja, todas as áreas da empresa trabalhando juntas por um mesmo objetivo. Quando isso acontece, naturalmente diminuem as chances de problemas ocorrerem  e os resultados aumentam. Esse sentimento de equipe é cada vez mais importante uma vez que a competitividade do mercado de trabalhao forma pessoas individualistas que encaram o colego de trabalho como concorrência.

Além da comunicação, outro fator responsável dentro de uma empresa é a cooperação. O que geralmente acontece é cada equipe se isolar e dar valor somente ao seu trabalho. É necessário que o líder mostre a importância de cada área da empresa e como cada uma contribui com a outra. Quando isso fica claro para os colaboradores, o coleguismo e suporte aumentam, criando mais oportunidades para chegar a soluções eficazes.

Por fim, para alcançar esses resultados, o gestor precisa saber lidar com cada funcionário, respeitando as diferenças individuais, mas tratando todos com a mesma importância. Mais que isso, além de saber liderar, deve saber ser liderado, afinal, todos nós, em algum momento, exercemos os dois papéis. Isso envolve saber dar e receber feedbacks, já que isso é parte fundamental das relações profissionais.

É muito importante que os líderes tenham consciência da importância do trabalho em equipe e da cultura organizacional e não deixem o relacionamento entre a equipe em segundo plano, pois isso afeta diretamente os resultados da empresa. Trabalhar em equipe não deveria ser um problema, mas sim uma solução.


Sobre o autor:  Bernt Entschev é presidente da De Bernt Entshchev Human Capital. Headhunter, trabalha na área de Executive Search há mais de 20 anos. Autor do livro "Executivos, Alfaces & Morangos", Bernt também atua como conselheiro de diversas instituições.

quinta-feira, 20 de setembro de 2012

Profissional de Marketing Digital deve ser também um bom matemático

Por Gabriel Kenski*  |  INCorporativa

Pergunte aos seus amigos graduados na área de Comunicação Social: quais eram as suas matérias preferidas nos tempos de escola? Provavelmente a maioria responderá que era história, português, redação ou até mesmo geografia. Dificilmente você ouvirá respostas como matemática ou física. Isso é fato. Um dos motivos que levam os jovens a optar por uma carreira na área de comunicação é a "fuga" dos números.

Porém, vale lembrar que a facilidade com matemática é uma habilidade essencial para o bom profissional de marketing. Fazem parte da rotina dessas pessoas entender e interpretar os números do mercado, realizar relatórios de venda e retorno sobre o investimento, plano de mídia, gerenciar as ações realizadas e entender se o trabalho feito tem qualidade ou não.

Nesses 15 anos de trabalho, já vivenciei várias situações em que profissionais de marketing mostram uma imensa dificuldade com números, especialmente aqueles com formação na área de comunicação. Muitos não sabem ao menos fazer operações simples, como regra de três, proporção e porcentagens.

Não é a toa que, nos processos seletivos da Media Factory, os candidatos passam por provas de matemática. Essa foi uma forma que encontramos para evitar futuras "gafes" no momento de calcular e apresentar números.

Na área de marketing digital a familiaridade com números se torna ainda mais importante, uma vez que a partir do momento em que a campanha vai pro ar, o trabalho de mensuração de resultados começa imediatamente. Esse é inclusive o diferencial das agências de marketing online: elas trabalham no sistema real time.

Às vezes uma campanha online gera um tráfego intenso de acessos, porém, quando você compara com o número efetivo de vendas do produto, você descobre que essa audiência não está sendo qualitativa, ou seja, não está gerando resultado. Parte do trabalho do profissional de marketing online é saber tomar uma decisão levando em consideração os números de uma campanha.

Ao apresentar ao cliente os números de um job que você considera bem sucedido, tudo se torna mais claro. A matemática é uma ciência exata, os números não mentem.

Acredito que as universidades de marketing e publicidade deveriam se modernizar nesse sentido e oferecer aos alunos mais matérias que abordem situações envolvendo números que são vividos no dia a dia. Digo isso, pois no quesito matemática, muitos recém formados, e até os mais experientes, estão despreparados. Se a pessoa tem pelo menos um conceito básico em relação aos números, se adequa tranquilamente ao que o mercado exige, mas se tem base ruim em matemática, poderá se complicar.

Vem-me à cabeça o exemplo de Martha Gabriel, conhecida profissional de marketing online. Ela é formada em Engenharia Civil e isso certamente ajudou em sua carreira na área de marketing.

Por isso, sempre cito isso em meus discursos: um profissional de marketing completo deve saber como "ler" os números.


*Sobre o autor: Gabriel Kenski é diretor de negócios da Media Factory, empresa de marketing digital e uma das pioneiras no conceito de marketing de performance.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

O Jeitinho Brasileiro liderando o Futuro

O "jeitinho" brasileiro é uma virtude ou um defeito? Quais são as qualidades dos executivos brasileiros no exterior? Como os estrangeiros veem nossos executivos?

Por Júlio César Santos*  |  Comunidade Mais

Em inúmeras ocasiões o "jeitinho" brasileiro já foi cantado em verso e prosa e na maior parte das vezes nossa forma de ser, de conviver e de produzir está diretamente relacionada à imagem que fazem de nós no exterior. Mas, afinal de contas como é esse jeito peculiar? O que nos faz diferentes de nossos parceiros internacionais? Como os estrangeiros veem o "jeitinho" brasileiro de ser? O que é "jeitinho"?

Para alguns estudiosos do comportamento humano o jeitinho brasileiro é aquela imposição do conveniente sobre o certo. É a filosofia de que, se está dando certo, é porque isso é o certo a ser feito. Desde que dar certo signifique "resolver o meu problema", ainda que não definitivamente.

Mas, o que esse jeito de ser brasileiro provoca na carreira de um executivo no exterior? O perfil gerencial brasileiro não passa desapercebido nos EUA e na Europa seja pelo excesso de improviso, carisma ou simpatia os profissionais brasileiros têm chamado a atenção dos analistas em gestão. Pois, na verdade, existe outro lado desse "jeitinho" que são algumas qualidades muito apreciadas no exterior:

Solidariedade: somos reconhecidos no exterior pela nossa solidariedade e, o melhor exemplo disso, são as campanhas de doação de órgãos realizadas por executivos brasileiros que moram nos EUA, a fim de manter um banco de órgãos compatíveis para doação no Brasil.

Assertividade: é o comportamento que se caracteriza pela firmeza de opiniões de uma pessoa; ou seja, pelo seu posicionamento em relação a determinado assunto, com posições claras e argumentações consistentes. A assertividade é uma das principais competências gerenciais para o sucesso dos executivos brasileiros no exterior, pois ela é o comportamento de equilíbrio entre a passividade e a agressividade de uma comunicação. Dessa forma, observa-se que muitos executivos brasileiros que vivem no exterior são pessoas que não aceitam passivamente tudo aquilo que lhes são solicitados, assim como também não aceitam o ponto oposto. Muitos brasileiros que trabalham fora do país acabaram se tornando líderes por terem conseguido colocar suas idéias através de argumentações consistentes e, principalmente, por não terem tido medo de dizer "não".

Criatividade: a visão é de um engenheiro brasileiro especialista em análise de riscos de projetos que trabalha nos EUA para várias empresas multinacionais. Ricardo Vargas percebeu que levava algumas vantagens sobre seus concorrentes americanos. Primeiro que ele não se intimidava com platéias de outras nacionalidades em inglês fluente. Outra vantagem brasileira é a "paixão" demonstrada pelo trabalho a ser realizado, pois nós brasileiros estamos mais acostumados a lidar com crises do que eles. No final de 2008, muitos clientes de Ricardo estavam apavorados com a crise econômica que se apresentava. Essa capacidade brasileira de sobreviver, de "se virar" e de resolver o problema é muito bem vista pelos analistas estrangeiros. "Nós brasileiros estamos mais bem preparados para enfrentar as crises do que qualquer outro país americano ou europeu, uma vez que eles estão pouco acostumados a elas" - disse Ricardo Vargas.

Os estrangeiros são completamente encantados com o nosso improviso durante momentos de crise e, pensar no futuro, pode ser um excelente exercício que nos leve a acertar. O líder brasileiro do futuro acredita em si mesmo e tem um alto poder de concentração nas suas metas. Eles acreditam na sua intuição, nos seus sentimentos e na sua inspiração.

Seus "insights" (intuição) são úteis para criar novos produtos, serviços ou mercados. Seus sentimentos são importantes para envolver emocionalmente sua equipe e, sua inspiração, para realizar o sonho em um mundo real. Os líderes brasileiros do futuro apreciam a audácia, a paixão pelo desconhecido e adoram o "impossível". Para eles o ato de liderar é uma gratificação pelo próprio exercício da Liderança.

Eles amam tanto os resultados quanto os processos para alcançá-los e dedicam tanto tempo para o espiritual quanto o material. Os líderes brasileiros do futuro se orgulham de crescer profissionalmente, mas se orgulham ainda mais da sua equipe. Eles têm a cabeça nas nuvens - sonhando alto - e "os pés no chão", o que demonstra o equilíbrio emocional dos brasileiros que trabalham no exterior.


*Sobre o autor: Julio César Santos é professor, consultor e palestrante. Articulista do Jornal do Commercio (RJ) e co-autor do livro: "Trabalho e Vida Pessoal - 50 Contos Selecionados" (Ed. Qualytimark, Rio de Janeiro, 2001). Por mais de 20 anos treinou equipes de Atendentes, Supervisores e Gerentes de Vendas, Marketing e Administração em várias empresas multinacionais de bens de consumo e de serviços. Elaborou o curso de "Gestão Empresarial" e atualmente ministra palestras e treinamentos "in Company" nas áreas de Marketing, Administração, Técnicas de Atendimento ao Cliente, Secretariado e Recursos Humanos. Graduado em Administração de Empresas, especialista em Marketing e Gestão Empresarial, com MBA em Marketing no Mercado Globalizado e complementação pedagógica.